UFES NÃO CONCLUI PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR E PROFESSOR RACISTA VOLTA A DAR AULAS

Ufes não conclui o processo administrativo disciplinar e o professor racista voltou a dar aulas – (Coletivo Negrada)

11040542_538051719671034_1683462580_o 11065454_538052449670961_1063321417_o

Estudantes de diversos cursos realizaram um protesto ontem denunciando o racismo institucional e a conivência da Universidade com o caso do professor Manoel Malaguti.

Em novembro do ano passado as declarações dadas por um professor da Ufes geraram repercussão nacional pelo teor racista que continham, denunciado por seus alunos. Depois da abertura de um processo administrativo e suspensão temporária, Manoel Luiz Malaguti, vinculado ao departamento de Economia, voltou normalmente a lecionar nas salas de aula da mesma universidade.

Denunciando a omissão da administração da Ufes, cerca de 20 estudantes de diversos cursos da universidade realizaram uma ação durante uma aula de Malaguti na noite de ontem. Num ato secreto, o grupo mobilizado pelo Coletivo Negrada entrou silenciosamente numa aula do professor com suas bocas tapadas com os dizeres “Racismo Institucional”.

Sentados junto à turma, permaneceram num incômodo e ensurdecedor silêncio que durou alguns minutos. A mensagem, dirigida não só ao professor e sua turma, mas também à comunidade universitária e às estruturas burocráticas da Ufes, era clara: “nós, negros e negras, estamos presentes, estamos unidos e não nos vamos omitir diante do racismo”.

Vários ex-alunos que presenciaram e reagiram às declarações do professor no ano passado estiveram novamente cara a cara com o desconcertado Malaguti. Um a um, os estudantes negros foram erguendo seus punhos, como símbolo de sua resistência. Até que romperam o silêncio cantando conjuntamente canções da resistência do povo negro. Em seguida se levantaram, se juntaram e caminharam lentamente para a saída da sala, seguindo cantando e levando adiante sua mensagem pelos corredores da universidade.

“A UNIVERSIDADE TAMBÉM É UM TERRITÓRIO DO POVO PRETO E FAVELADO” (Beatriz Lima –  Estudante de Letras e Militante do Coletivo Negrada)

11030548_538052996337573_210443016_o

Nós estudantes negros e negras estamos indignados com a volta às salas de aula do professor Malaguti. Será que a dor e o constrangimento sofrido pelos estudantes não foi o bastante? Agora eles tem que conviver com seu agressor, dividindo os corredores da Universidade, como se nada tivesse acontecido? O ato de hoje é para cobrar da Reitoria ações sérias e concretas para este caso em especial, onde uma turma inteira sofreu violência racial, e também para mostrar que não nos calaremos perante o racismo.

Exigimos da Ufes medidas urgentes! Quando a Ufes se omite frente aos casos de Racismo praticados nas suas esferas à torna também cúmplice, co-autora e principal responsável pelos atos praticados, já que esta permite que em suas estruturas sejam reiterados os casos de discriminação racial, preconceitos em razão de raça/etnia ou origem. Isso só reflete tamanha é a necessidade de adoção de políticas de combate ao racismo institucional e estrutural ao qual a Ufes está mergulhada.

“Estamos acompanhando cada passo deste processo e não aceitaremos que este caso passe despercebido pelo conhecimento da comunidade acadêmica e da sociedade como todo.” Mirts Sants (Estudante de Letras e Militante do Coletivo Negrada)

Malaguti sai, Negros ficam!

A permanência do professor de economia Manoel Malaguti na universidade Federal do Espírito Santo, comprova a negligencia e passividade da reitoria frente aos casos de preconceito e racismo que o mesmo proferiu em sala de aula e em rede nacional. Mesmo com a indignação por boa parte dos docentes e discentes da universidade, tal atitude da UFES em mantê-lo na sala de aula, foi tratada com naturalidade. Comprovando assim o consentimento da comunidade acadêmica com o fato.

Mas, quem apanha não esquece. Os negros e negros cotistas que se ofenderam diretamente com o discurso do professor, se indignam e, mais uma vez, reivindicaram a sua expulsão dessa universidade nessa terça-feira (17/03). Manoel Malaguti, é o exemplo claro do racismo e segregação que a universidade federal do espírito santo comete diariamente, desacatou funcionárias, deficientes, cotistas e negros. O limite é desconhecido pela a autoridade, dessa maneira, ele se comporta como rei, com suas aulas mal dadas, sem conteúdo profundo e sem didática em sala, prova disso, foi que logo quando Malaguti foi substituído da turma de Ciências Sociais,seu substituto Adriano, em poucas aulas ensinou o conteúdo do semestre e a turma o elogia por suas aulas (alguns até pegaram mais aulas com o Adriano).

A grande responsabilidade é da UFES nesse processo, enquanto ela se omitir e não implementar as leis 10.639/03 e 11.645/10 “Malagutis” da vida vão surgindo para formação dos futuros profissionais que teremos no mercado afim de atender nossa sociedade.

Racistas Não Passarão!

(João Victor Penha dos Santos, ex-aluno de Malaguti e Militante do Coletivo Negrada)

“Horas antes do ato, era imprevisível a reação do professor. E isso preocupava alguns colegas de sala que haviam sido rebaixados e humilhados na aula que ele então ministrava em minha turma no semestre passado. Mas, como irmãos, nos fortalecemos e seguimos adiante com o ato. Chegamos na sala e nos sentamos em silêncio, com panos amarrados em nossa boca. E foi que nesse momento ele quis que falássemos o que estávamos fazendo ali com um visível tom de sarcasmo e cinismo. Parecia fingir que realmente estava preocupado em ter um diálogo franco conosco, sendo que quando isso lhe foi proposto (na então aula em que proferiu seu discurso racista e capacitista), ele simplesmente negou todos os argumentos das e dos estudantes, os desmotivando e silenciando-os em sala de aula. Finalizando o ato com frases e músicas de resistência negra, seguimos juntos para fora do prédio. Esse foi um ato simbólico contra o racismo institucional da Ufes que infelizmente é um reflexo de toda a nossa sociedade racista. Sai de lá mais forte, e com mais energia para continuar lutando contra essas opressões, especialmente contra o racismo. Que ninguém ouse tirar a nossa voz! O povo negro está unido, e lutaremos sem hesitar contra o racismo, assim como Zumbi lutou pela resistência negra contra a escravidão!” (Brenda Novais Schade. Estudante de ciências sociais da Ufes e militante do Levante popular da juventude e do Coletivo Negrada)

“Umas 19h30 mais ou menos, nos dirigimos à sala do professor citado e entramos em silêncio na aula. Éramos aproximadamente 20 pessoas e depois de 2 minutos em silencio, com falas do professor sobre o que fazíamos ali ou quando um a um levantou a mão esquerda e ele disse: é o movimento negro? Depois de 2 minutos cantamos palavras de ordem. Num determinado momento, fomos contagiados a cantar com todas as forças do pulmão e bater nas mesas como um ato de libertação… cantamos nossa última canção, uma paródia, e marchamos em direção ao prédio das Ciências Sociais. De forma espontânea fomos cantando em outros espaços. Honestamente o ato se revelou pra mim um grito de libertação diante do opressor. O oprimido se livrando de suas algemas, a sensação que tenho é de conforto e pronto pra outra.

O ato de entrarmos e ocuparmos aquele espaço teve importância no sentido de que o povo preto não tem acesso a este espaço elitizado e embranquecido tanto fisicamente (tonalidade de pele) quanto intelectualmente (pensamento europeu). Estar naquele espaço e dizendo palavras de ordem e cantando músicas de nossa cultura é muito significativo. E todo o ato se concentrou no racismo institucional, por isso o andar cantando nos EDs [blocos de edifícios do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas] teve outra dimensão muito simbólica”.

(Timóteo André – ex-aluna de Malaguti do Curso de Ciências Sociais e Militante do Coletivo Negrada)

”Foi um alívio encarar novamente o homem que agrediu a minha turma e meus amigos negros que estavam presentes naquele dia. E retornar a sua sala para dá-lo uma resposta, uma reação em forma de protesto, foi um alívio imenso. Enquanto aguardamos a justiça dos brancos, que é lenta, fazemos a nossa, da nossa forma. Não nos calaremos vendo o nosso agressor racista pisar na Universidade outra vez como se nada tivesse acontecido, e reproduzir novamente seu ódio ao povo negro para outras turmas”

(Tatiana Dias Zocrato – ex-aluna de Malaguti do Curso de Ciências Sociais e Militante do Coletivo Negrada).

Anúncios
Esse post foi publicado em Sem categoria. Bookmark o link permanente.

2 respostas para UFES NÃO CONCLUI PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR E PROFESSOR RACISTA VOLTA A DAR AULAS

  1. Alex Fernandes de Oliveira disse:

    Parabéns Pessoal …. Esta sociedade, construída através do escravagismo, precisa de movimentos e atos/atitudes como essa. E preciso pregar e demostrar que é possivel – se não obritorio – defender-se desse tipo de opressão. E preciso tambem, principalmente, divulgar mais esse ato, pois só assim construiremos uma cultura onde o opressor pode até atacar, mas saberá que o oprimido vai se posionar. O medo não pode ser de quem grita, o medo tem que estar em ficar calado!!!

  2. José Rocha disse:

    Absurdo !!!! Mais essa , um professor , possivelmente mestre ou doutor, agindo assim ….. Vamos dar um basta nesse país para fatos como esse. A Reitoria dessa Universidade não merece mais o respeito da sociedade. Absurdo isso. Quero ver o desfecho disso em TVs Rede Nacional.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s