RELIGIÃO E CONSCIÊNCIA NEGRA

Quando eu descobri que Deus me criou PRETO…

Há um ano atrás lá estava eu, trêmulo, pois como muitos de nós, vivi toda a minha vida negando minha cor e minha etnia. Mas, de repente eu me vi “nascer” PRETO do pior modo possível: O racismo bateu, arrombou minha porta. E eu abri.

Depois de um caso nacionalmente conhecido de racismo, onde fui era umas das vítimas, junto com minha turma do 2º período da universidade, ingressei no mundo da discussão racial. Mas eu era apenas um menino, ainda estava se encaixando na minha cabeça o que era ser preto. Porém, fui convidado pra falar sobre negritude e protestantismo em uma igreja batista. E agora? o que fazer? Se ser preto era uma novidade pra mim, imagina ser preto e protestante? qual relação havia nisso tudo?

Passe a me aprofundar nas leituras de textos que até então eram por mim desconhecidos, e busquei a bíblia, fiz minhas orações ao meu Deus, que a cada dia se revelava a mim, não mais como um branco velho barbudo ausente, mas como um preto igual a mim e que me entende, e marchei pra igreja. No local vi conhecidos, irmãos da igreja, o meu pastor e meus irmãos da militância. continuava trêmulo.

Minha irmã Tamyres, com todo seu afeto nos conduziu na reflexão sobre o tema. Foi lindo ouvi-la e perceber a importância desse tema ser debatido na Igreja.
Mas, de repente, lá estava eu, era minha vez. Eu, minha bíblia, e minha apresentação. Me lancei em Deus e fui. Fluiu. Mostrei o preto na bíblia e como ele é retratado e como o próprio Deus o trata e no fim afirmei: RACISMO É PECADO! Senti espanto, novidade e convencimento. Prossegui.Mostrei os meus vários irmãos pretos que lutaram por um mundo melhor desde os anglicanos até o líder pentecostal Willian Seymor.

E agora, o que dizer? havia findado a fala.
Mas eis que o Espírito me tocou e realmente me toquei de que o eterno Deus não erra em sua criação, e se Ele me fez preto, Ele não errou, quem errou nossa humanidade.
Resultado: foi lindo ver os pretos cristãos reconhecendo este Deus que empreteceu suas peles e encrespou seus cabelos e os deu tambores.  Houve apelo. A reunião finalizou com todos reconhecendo seus pecados de racismo e pedindo perdão por ele.

Dou glória ao meu Deus, que me fez PRETO. Eu posso ter “nascido” preto por um ato racista, mas está palestra foi meu renascimento como PRETO cristão, pois senti Deus me conduzindo em seus braços para se revelar a mim como Ele realmente é: O verbo que se fez carne na minha cor e me criou PRETO.

Obrigado SENHOR, MEU DEUS PRETO. Do ódio por minha pele e pelo ocorrido ao seu maravilhoso amor de Pai que acolhe e acalenta. Brigado meu PRETO REI.

Por: Timóteo André, Graduando em Ciências Sociais – UFES, Cristão Anglicano e membro do Coletivo Negrada.

 

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