Masculinidades Negras: Pode um corpo negro nascer?

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por: João Victor Santos, Colunista do Portal Negrada, Graduando em Ciências Sociais (UFES), Membro do Conselho de Juventudes do Estado do ES e Militante do Coletivo Negra.

“Nós entendemos que assim que o homem africano se levanta e declara ser um homem, ele se coloca em uma absoluta e imediata oposição ao sistema europeu, que tem o definido como sendo menos que um homem ou um não homem. Indo mais adiante, a razão pela qual isso se torna uma guerra é porque o homem euro-americano tem definido sua masculinidade baseada nas lacunas causadas na masculinidade do homem africano. Então ele só é homem porque o não é um homem. Se o africano se tornar homem, por sua própria definição, ele (homem branco) automaticamente perderá a sua masculinidade coletiva.”

“A masculinidade negra representa uma ameaça ao homem branco, ela é o profundo medo cultural do negro figurado no temor psíquico da sexualidade ocidental (Bhabha, 2003:71). Além de ter seu pênis racializado, a inteligência dos homens negros foi avaliada pelos europeus na proporção inversa do tamanho de seu pênis.
(…)

O homem negro não é um homem. Como nos lembra Fanon (1983), no imaginário ocidental, um homem negro não é um homem, antes ele é um negro e como tal não tem sexualidade, tem sexo, um sexo que desde muito cedo foi descrito no Brasil com atributo que o emasculava ao mesmo tempo em que o assemelhava a um animal em contraste com o homem branco. Este imaginário é perceptível no modo como a masculinidade é representada na literatura, cinema, telenovelas, jornais, revistas e propagandas, inclusive nas oficiais. Nelas o temor psíquico do negro macrofálico é retratado através de estereótipos que foram forjados durante longos anos até tornaram-se verdade, neste sentido, o livro O Cortiço de Aluísio Azevedo, um clássico da Literatura brasileira publicado em 1890, é paradigmático.

(…)

O ideal da miscigenação do novo Estado brasileiro que excluiu o homem negro simbolicamente é muito bem representado no quadro A Redenção de Cam, pintado em 1895 por Modesto Brocos. Nele vemos uma senhora negra agradecendo a Deus pelo seu neto branco no colo de sua filha de pela mais clara que ela, fruto de uma primeira miscigenação. Os três são observados por um homem branco, fonte da redenção, sentado com um leve sorriso no rosto. O fruto desta união é um varão e tem a pela tão clara quanto o pai. Este seria o auge do sonho da política de miscigenação, como política de Estado: o homem branco como agente purificador da nova raça brasileira. Desta forma o homem negro foi estrategicamente posto de lado ao se pensar o Brasil como um cadinho onde a miscigenação teria dado certo. Neste mesmo período o homem negro torna-se motivo de preocupações e alvo das atenções de higienistas e chefes de policia, o homem negro, parafraseando Pereira Passos, passa ser caso de polícia ou psiquiatria.”

Referências: 

“AS REPRESENTAÇÕES DO HOMEM NEGRO E SUAS CONSEQUÊNCIAS” (Rolf Ribeiro de Souza)” (https://drive.google.com/…/0B0S8H0I0DtIlcWdpSDVPTk1BanM/view)

“CICLO DE FORMAÇÃO MARCUS GARVEY: CÍRCULO PRETO APRESENTA: MASCULINIDADES EM FOCO” (https://drive.google.com/…/0B5-jP9sP0-j_S3A1VzdHTnJrcU0/view )

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